Ars curandi Wiki

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Radiografia criança com escorbuto.jpg
Gengivas de doente com escorbuto.jpg

O escorbuto é uma avitaminose que surge na população que carece de uma alimentação rica em Vitamina C (ácido ascórbico). Sendo esta vitamina essencial aos processos enzimáticos que promovem a síntese de colagénio, na sua ausência ocorre sangramento e necrose das gengivas, e das membranas mucosas no geral, sendo este o sinal mais característico da doença. Verifica-se ainda um comprometimento a nível do crescimento ósseo, uma vez que o colagénio é parte interveniente neste processo. Apesar de ser uma patologia potencialmente mortal, quando tratada com largas doses de ácido ascórbico ocorre remissão total dos sinais e sintomas.

Etiologia

O ser humano, tal como alguns animais, não sintetiza a Vitamina C. Como tal, dada a sua importância a nível da síntese de colagénio, é necessário que a adquira na alimentação, sendo os citrinos os alimentos mais ricos nesta vitamina. Assim, a doença ocorre quando, por factores económicos, sociais ou climáticos, as populações ficam privadas de uma alimentação apropriada. Era este o caso dos marinheiros e militares, quem primeiro se debateu com esta doença, devido a longos períodos no mar e em operações militares, respectivamente. Já na era moderna, o escorbuto surge como doença infantil, em situações em que as mães não amamentavam os filhos e, por ignorância, não lhes facultavam alimentos substitutos dos nutrientes do leite materno.


Epidemiologia

O escorbuto infantil surgiu essencialmente no Canadá e Austrália. Nos países em desenvolvimento (3º mundo) esta patologia não é descrita, talvez pelo facto de haver maior disponibilidade de fruta e vegetais em alguns destes países, comparativamente a outros, ou ainda devido à falta de assistência médica, os principais relatores de doenças nestes países.


Pode dizer-se que o escorbuto é uma doença dos países nórdicos, onde a avitaminose se deve a factores climáticos, no entanto este facto não se aplica aos Esquimós, cuja dieta tradicional se baseia em carne mal cozinhada, o que previne a destruição da vitamina C e, portanto, o aparecimento de escorbuto, pois é o calor que destrói a esta vitamina.


Manifestações clínicas

  • Astenia
  • Palidez
  • Pele seca e áspera
  • Fragilidade dos capilares sanguíneos levando a hemorragias:
  1. cutâneas, principalmente junto aos folículos pilosos
  2. subcutâneas nas pernas (púrpuras)
  3. gengivas, podendo levar à perda dos dentes
  4. subperiósteas
  • Não regeneração das feridas
  • Anemia
  • Em casos mais graves registou-se
  1. Perda da elasticidade muscular
  2. Re-abertura de feridas antigas
  3. Fracturas ósseas
  • Nas crianças, o crescimento ósseo é comprometido, havendo reabsorção nas extremidades dos ossos longos e a cartilagem é destruída, provocando dores articulares e dificuldade de movimentos

História

O Renascimento (séc. XIII a XVII)foi uma época caracterizada pelo rápido crescimento económico das potências Europeias, o que conduziu a um desenvolvimento das técnicas de navegação e construção de navios, aliado à expansão do comércio a outras grandes potências, em diversos continentes.

Deste modo, os navios permaneciam no mar durante longos períodos de tempo, o que condicionava a alimentação da tripulação a conservas e carne seca, proporcionando o aparecimento do escorbuto.


Em 1498, durante a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Vasco da Gama relata o facto de grande parte da sua tripulação sofrer de vários sintomas que aparentavam ser relativos ao Escorbuto. Mais tarde, também uma expedição francesa, em 1534, ao explorar a costa da América do norte registou um grande surto de escorbuto, tal como outras expedições inglesas e espanholas.


Já no século XVII, com a colonização por parte de outros países para além de Portugal e Espanha, os pioneiros, houve um aumento das expedições, e da sua duração, das grandes companhias comerciais, como é o caso da Companhia das Índias. Consequentemente, foram registados mais marinheiros com escorbuto. Por exemplo, em 1601, a Companhia das Índias Ocidentais enviou uma expedição comercial à Sumatra, que esteve no mar durante 29 semanas. O surto de escorbuto foi de tal dimensão que a expedição esteve prestes a ser cancelada, por falta de marinheiros e condições. O único barco que escapou foi o de Sir James Lancaster que administrou sumo de limão à sua tripulação, facto que demonstra o conhecimento da doença já naquela altura, tal como da sua provável cura/prevenção.


Desde cedo que se observou a rápida recuperação dos marinheiros com escorbuto, ao chegarem aos portos com fruta e vegetais ao seu dispor. Assim sendo, a questão que se põe é o porquê desse conhecimento não ter sido aplicado para prevenir a doença. A resposta reside no facto de não haver condições logísticas para manter a fruta fresca durante longas expedições.


Diversas experiências foram feitas por vários cirurgiões dos navios de várias expedições a fim de combater esta doença, sendo a mais importante a de James Lind. Lind foi um pioneiro na higiene dos navios nas viagens marítimas que, relativamente ao escorbuto, dividiu os seus pacientes escorbúticos em três grupos. O primeiro grupo recebeu tratamento com citrinos, o segundo com cidra e o terceiro com outro tipo de medicamentos correntes. O primeiro grupo foi o que mostrou melhoras mais rápidas, seguido do grupo ao qual foi administrada cidra, e por fim o grupo que recebeu tratamento com medicamentos correntes não registou melhoras. Assim, Lind descobriu a cura para o escorbuto, tendo mais tarde publicado a sua descoberta num livro intitulado A Treatise of the Scurvy, em 1753.


Diagnóstico

O diagnóstico desta doença é baseado nos sintomas apresentados pelo doente. Podem ainda medir-se os níveis de vitamina C no sangue, ajudando a estabelecer o diagnóstico. No caso de escorbuto infantil, podem fazer-se radiografias que evidenciam um crescimento ósseo deficiente.


Tratamento

O tratamento desta doença consiste em administrar Vitamina C, sendo que os sintomas desaparecem ao fim de 2 semanas. Para doentes que apresentam anemia é também requerido um suplemento de ferro juntamente com a Vitamina C.


Bibliografia

Kiple, K. F. (1993). The Cambridge World History of Human Disease. Cambridge University Press, Cambridge.

http://www.medal.org/visitor/www%5CActive%5Cch12%5Cch12.01%5Cch12.01.10.aspx

http://www.britannica.com

http://www.merck.com/mmhe/sec12/ch154/ch154i.html

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